Você sente uma dor persistente na base do polegar que se estende para o punho, especialmente ao tentar pegar objetos, girar uma maçaneta ou digitar no celular? Esse desconforto, que muitas vezes é confundido com uma simples torção, tem um nome específico e uma causa muito comum: a Tenossinovite de De Quervain. Conhecida também como o “polegar da mãe de primeira viagem” ou, mais recentemente, o “polegar do smartphone”, essa patologia é uma inflamação dos tendões que controlam o movimento do polegar, impactando diretamente a função da mão.
Para compreender De Quervain, precisamos focar na anatomia do punho. Os tendões que movem o polegar o abdutor longo do polegar (APL) e o extensor curto do polegar (EPB) passam por um canal estreito na região do punho, chamado de primeiro compartimento extensor. Este canal é revestido por uma bainha sinovial que lubrifica os tendões para um deslizamento suave. No entanto, o De Quervain ocorre quando essa bainha sinovial sofre uma inflamação e inchaço excessivos, estreitando o canal e impedindo que os tendões se movam livremente.



As causas desta inflamação estão diretamente ligadas a movimentos repetitivos e sobrecarga. O ato de segurar um bebê recém-nascido, que exige flexão do punho e extensão do polegar para dar suporte à cabeça (gerando o apelido de “mãe de primeira viagem”), é um gatilho frequente. Além disso, o uso excessivo de smartphones para digitar com os polegares, atividades que envolvem o uso repetitivo de pinça (como na carpintaria ou digitação) ou o manuseio de ferramentas vibratórias são importantes fatores de risco que irritam a bainha sinovial.
Os sintomas são muito característicos e localizados. A dor concentra-se na face radial do punho (no lado do polegar) e piora com qualquer movimento que envolva o polegar, como fazer pinça ou girar o punho. Com a progressão da inflamação, é comum notar inchaço visível na base do polegar e, em casos mais severos, o paciente pode sentir ou ouvir um estalo ou clique (crepitação) quando os tendões tentam passar pela bainha estreitada. A dor pode irradiar para o antebraço.
O diagnóstico preciso é feito pelo ortopedista através de um exame físico simples. O médico utilizará o teste de Finkelstein: pede-se ao paciente que feche a mão com o polegar dentro dos outros dedos e desvie o punho lateralmente. Se este movimento reproduzir a dor intensa na base do polegar, o teste é considerado positivo para a tenossinovite de De Quervain. Exames de imagem como a ultrassonografia podem ser úteis para visualizar o espessamento da bainha sinovial, mas geralmente não são estritamente necessários para o diagnóstico.
O tratamento inicial é sempre conservador e apresenta excelentes resultados. O foco é controlar a inflamação e dar repouso aos tendões. O pilar do manejo inclui o uso de uma órtese (tala) específica para o punho e polegar, mantendo-os em posição neutra para evitar o atrito, uso de gelo local, modificação de atividades provadoras e anti-inflamatórios orais. A fisioterapia é fundamental, com alongamentos suaves e exercícios para fortalecer a musculatura da mão e corrigir a biomecânica que causou a sobrecarga.
Para os casos que não respondem ao tratamento conservador após algumas semanas, ou onde a dor é severa, uma infiltração com corticoide pode ser recomendada para reduzir a inflamação de forma mais potente. A cirurgia é um recurso para os casos mais crônicos e resistentes, onde a bainha sinovial está excessivamente espessa. O procedimento, chamado de “liberação cirúrgica do compartimento”, é simples e consiste em realizar uma pequena incisão para cortar a bainha inflamada, abrindo espaço para os tendões deslizarem livremente. A prevenção envolve o fortalecimento muscular e a correção ergonômica, essenciais para evitar que a dor volte.
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