Síndrome do Túnel do Carpo: Por Que as Mãos Formigam e Como Tratar?

Você já acordou no meio da noite com uma sensação de formigamento ou dormência nas mãos, precisando sacudi-las para sentir alívio? Ou percebeu que objetos caem da sua mão com mais frequência, como se faltasse força para segurá-los? Esses são os sinais clássicos da Síndrome do Túnel do Carpo, uma neuropatia compressiva que afeta milhões de pessoas e, se não tratada, pode levar à perda permanente da sensibilidade e da função da mão.

Para entender a origem do problema, precisamos olhar para a anatomia do punho. O “túnel do carpo” é uma passagem estreita e rígida localizada na base da palma da mão, formada por ossos e ligamentos. Por dentro desse túnel passam os tendões que dobram os dedos e, principalmente, o nervo mediano. Esse nervo é responsável pela sensibilidade do polegar, indicador, dedo médio e metade do anelar, além de controlar os músculos da base do polegar.

A síndrome ocorre quando a pressão dentro desse túnel aumenta, comprimindo o nervo mediano. Diferente de uma lesão súbita, o problema geralmente se desenvolve aos poucos. A causa exata é muitas vezes uma combinação de fatores: anatomia individual (túnel mais estreito), doenças inflamatórias como artrite reumatoide, retenção de líquidos (comum na gravidez e menopausa), diabetes e, claro, atividades repetitivas ou vibratórias que irritam os tendões flexores, causando inchaço dentro do túnel.

Os sintomas seguem um padrão muito específico. A dormência e o formigamento afetam principalmente o polegar e os dois dedos vizinhos, poupando o dedo mínimo (que é inervado por outro nervo). A dor pode irradiar para o antebraço e ombro. Com a evolução da compressão, o paciente começa a sentir fraqueza na pinça (movimento de pegar pequenos objetos) e atrofia dos músculos da base do polegar, tornando a mão “magra” e desajeitada.

O diagnóstico preciso é feito pelo ortopedista especialista em mão. No exame físico, testes provocativos como o sinal de Tinel (bater levemente sobre o nervo para gerar choque) e a manobra de Phalen (dobrar os punhos por um minuto para reproduzir a dormência) são muito úteis. Para confirmar a gravidade da compressão nervosa e descartar problemas na coluna cervical, o exame de Eletroneuromiografia é o padrão-ouro, medindo a velocidade de condução elétrica do nervo.

O tratamento inicial é conservador e foca em aliviar a pressão no nervo. A medida mais eficaz é o uso de órteses (talas) noturnas, que mantêm o punho em posição neutra durante o sono, evitando que ele dobre e comprima o túnel. Mudanças na ergonomia do trabalho, pausas frequentes, exercícios de deslizamento do nervo e o uso de anti-inflamatórios ou injeções de corticoides também ajudam a reduzir o inchaço dos tendões e aliviar os sintomas.

Quando a compressão é severa, há perda muscular ou o tratamento conservador não funciona, a cirurgia é indicada. O procedimento, chamado de liberação do túnel do carpo, consiste em cortar o ligamento transverso que forma o teto do túnel. Isso abre espaço imediato para o nervo mediano “respirar”. A cirurgia pode ser feita de forma aberta ou endoscópica, e a recuperação da sensibilidade costuma ser excelente, devolvendo a qualidade de vida e o sono tranquilo ao paciente.