Um passo em falso numa calçada irregular, uma virada brusca durante uma partida de futebol ou uma simples descida de escada. A entorse de tornozelo é uma das lesões ortopédicas mais comuns e democráticas, podendo acontecer com qualquer pessoa em qualquer idade. Embora pareça um incidente simples, a forma como lidamos com ele nos primeiros momentos e o tratamento que se segue são cruciais para uma recuperação completa e para evitar problemas futuros.
Mas o que exatamente acontece no tornozelo durante uma entorse? A lesão ocorre quando os ligamentos, as fortes faixas de tecido elástico que conectam os ossos e estabilizam a articulação, são esticados ou rompidos. O tipo mais comum é a entorse por inversão, na qual o pé vira para dentro, sobrecarregando e danificando os ligamentos na parte externa do tornozelo. Essa sobrecarga pode variar de um leve estiramento a uma ruptura completa.



A gravidade de uma entorse é classificada em três graus, o que ajuda a guiar o tratamento. A Entorse de Grau 1 é a mais leve, envolvendo um estiramento ligamentar com dor e inchaço discretos. A Entorse de Grau 2 representa uma ruptura parcial dos ligamentos, resultando em dor moderada, inchaço visível e, muitas vezes, hematomas. Já a Entorse de Grau 3 é a mais grave, com a ruptura total de um ou mais ligamentos, causando dor intensa, grande instabilidade e incapacidade de apoiar o pé no chão.
Saber o que fazer imediatamente após a torção é fundamental para controlar a lesão. Os primeiros socorros são baseados no protocolo PRICE: Proteção, evitando apoiar o pé no chão; Repouso, para não agravar a lesão; Ice (Gelo), aplicando uma bolsa por 20 minutos a cada 2-3 horas para reduzir o inchaço e a dor; Compressão, com uma faixa elástica para limitar o edema; e Elevação, mantendo o pé mais alto que o nível do coração.
Apesar da eficácia dos primeiros socorros, a avaliação de um médico ortopedista é indispensável. Apenas um profissional pode determinar o grau da lesão e, principalmente, descartar a possibilidade de uma fratura, que pode apresentar sintomas semelhantes. Através do exame físico e, se necessário, de exames de imagem como o raio-X, o médico poderá confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento mais adequado.
O tratamento para a maioria das entorses, após a fase inicial de controle da dor e do inchaço, é focado na reabilitação. A fisioterapia é a peça-chave para uma recuperação bem-sucedida, trabalhando para restaurar a amplitude de movimento, fortalecer os músculos que estabilizam o tornozelo e, de forma crucial, treinar a propriocepção, a capacidade da articulação de “entender” sua posição no espaço, o que previne novas viradas.
A etapa final do tratamento é a prevenção, pois um tornozelo que sofreu uma entorse mal reabilitada fica propenso a novas lesões, gerando uma instabilidade crônica. A melhor forma de evitar recorrências é completar todo o processo de fisioterapia. Além disso, o uso de calçados adequados, a prática de exercícios de equilíbrio e o fortalecimento contínuo são estratégias eficazes para manter seus tornozelos fortes, estáveis e seguros.
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