Bursite no Ombro

Você sente uma dor aguda no ombro ao tentar pentear o cabelo, alcançar um objeto no banco de trás do carro ou simplesmente ao deitar de lado para dormir? Esses movimentos cotidianos podem se tornar um tormento para quem sofre de Bursite no Ombro. Essa condição inflamatória é uma das causas mais comuns de dor nos membros superiores e, se não tratada, pode limitar severamente a amplitude de movimento do braço.

A “bursa” é uma pequena bolsa cheia de líquido que atua como uma almofada entre os ossos e os tecidos moles (músculos e tendões), reduzindo o atrito durante o movimento. No ombro, a bursa subacromial fica logo abaixo da ponta do osso do ombro. Quando essa estrutura fica irritada e inflamada, ela aumenta de volume e causa dor, caracterizando a bursite. Frequentemente, ela está associada a outra condição, a tendinite, formando um quadro de inflamação conjunto.

A causa mais frequente da bursite é o esforço repetitivo, especialmente em movimentos que elevam o braço acima da linha da cabeça. Por isso, profissionais como pintores, professores, cabeleireiros e atletas de natação ou vôlei são muito suscetíveis. Além disso, traumas diretos (pancadas no ombro), doenças reumatológicas e o processo natural de envelhecimento dos tecidos também podem desencadear a inflamação da bursa.

Os sintomas da bursite costumam começar de forma gradual e piorar com o tempo. A dor localiza-se na parte superior e lateral do ombro e tende a piorar à noite, dificultando o sono. O paciente também percebe uma rigidez e dificuldade para realizar movimentos de rotação e elevação do braço. Diferente de uma dor muscular passageira, a dor da bursite é persistente e pode irradiar para a lateral do braço.

O diagnóstico é realizado pelo ortopedista através da história clínica e do exame físico, onde manobras específicas provocam a dor típica da bursite. Para descartar outras lesões, como rupturas de tendões ou calcificações, e confirmar a presença de líquido na bursa, o médico geralmente solicita exames de imagem, sendo a ultrassonografia e a ressonância magnética os mais utilizados pela sua precisão.

O tratamento inicial é conservador e foca no controle da inflamação. Isso inclui o uso de gelo local, repouso relativo (evitando os movimentos que causam dor, mas sem imobilizar totalmente o ombro) e medicamentos anti-inflamatórios prescritos pelo médico. A fisioterapia é indispensável nesta fase para manter a mobilidade articular, reduzir a dor com recursos como ultrassom e laser, e corrigir a postura dos ombros.

Em casos mais resistentes, onde a dor persiste mesmo após a fisioterapia, o médico pode sugerir uma infiltração (injeção de corticoide diretamente na bursa) para reduzir a inflamação de forma mais potente. A cirurgia para remoção da bursa inflamada é rara e reservada apenas para situações crônicas que não respondem a nenhum outro tratamento. A prevenção, através do fortalecimento muscular e da correção ergonômica, continua sendo o melhor remédio para manter os ombros saudáveis.